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Educação para a Independência do Mundo

Não basta preparar o homem para o domínio de uma especialidade qualquer. Passará a ser então uma espécie de máquina utilizável, mas não uma personalidade perfeita. O que importa é que venha a ter um sentido atento para o que for digno de esforço, e que for belo e moralmente bom. De contrário, virá a parecer-se mais com um cão amestrado do que com um ser harmonicamente desenvolvido, pois só tem os conhecimentos da sua especialização. Deve aprender a compreender os motivos dos homens, as suas ilusões e as suas paixões, para tomar uma atitude perante cada um dos seus semelhantes e perante a comunidade.

Estes valores são transmitidos à jovem geração pelo contacto pessoal com os professores, e não — ou pelos menos não primordialmente — pelos livros de ensino. São os professores, antes de mais nada, que desenvolvem e conservam a cultura. São ainda esses valores que tenho em mente, quando recomendo, como algo de importante, as «humanidades» e não o mero tecnicismo árido, no campo histórico e filosófico.

A importância dada ao sistema de competição e a especialização precoce, sob pretexto da utilidade imediata, é o que mata o espírito de que depende toda a atividade cultural e até mesmo o próprio florescimento das ciências de especialização.

Faz também parte da essência de uma boa educação desenvolver nos jovens o pensamento crítico independente, desenvolvimento esse que é prejudicado, em grande parte, pela sobrecarga de disciplinas em que o indivíduo, segundo o sistema adotado, tem de obter nota de passagem. A sobrecarga conduz necessariamente à superficialidade e à falta de verdadeira cultura. O ensino deve ser de modo a fazer sentir aos alunos que aquilo que se lhes ensina é uma dádiva preciosa e não uma amarga obrigação.

Albert Einstein, in ‘Como Vejo o Mundo’

Volta às aulas, e a normalidade…

Volta às aulas, à normalidade da vida (ou anormalidade!), aos problemas de aprendizagem, à falta de interesse dos alunos, aos pais estressados, etc… Acho que muitos pensam assim no começo de ano, ao menos falam assim. Talvez seja uma daquelas maneiras esquisitas de dizer “É, vai começar tuuuuudo de novo. Vamos encarar, fazer o quê, se ninguém mais vai?“.

Normalmente nesse período que precede a volta às aulas eu sentia saudades da escola, de dar aula, dos colegas e demais coisas, mas confesso que esse ano foi diferente (com certeza eu aguentaria mais duas semanas de férias, kkkkk). Não senti saudade de nada, ao contrário, quis permanecer longe de tudo isso. Já estava me cansando antes mesmo de começar as aulas, e se continuasse assim com certeza eu terminaria o ano com um atestado de depressão. Mas o que mudou?

Não muita coisa! Provavelmente os mesmos problemas estarão aí! Acho que talvez até novos problemas (tirando TDAH que descobriram que era uma mentira, UHUUUUULLLLLLLL!!!!!!!!). Contudo, após uma manhã de capacitação que tive ontem, como normalmente as escolas fazem antes de voltar as aulas, as coisas mudaram um pouco de figura. Percebi que eu estava me deixando dominar pelo vírus da Inércia Profissional, o qual minha professora Maria Inês Ribas nos advertiu quando estávamos na graduação. Não sei se existe uma vacina eficaz, mas eu comecei o tratamento com leitura de artigos e livros que possam me reconduzir ao caminho de um ensino mais eficaz (vou para de falar EDUCAÇÃO, em outro post eu explico).

Não sei se funcionará para você, meu querido colega professor, mas é bom ver, através da experiência de outros, que a sala de aula não é um fardo individual. Se deixe inspirar e se deixe viver a experiência de ensinar e aprender, e contribua para a educação. Assuma o que é de sua responsabilidade e delegue as sobressalentes a quem de direito. Como diz aquela música “cada um no seu quadrado“!

Feira de Ciências 2011

Feiras de ciências são eventos muito legais para a escola, e os alunos, e muito cansativo para os professores, principalmente os de Física e Química. Hoje está acontecendo a feira da minha escola, o ÚLTIMO EVENTO antes do recesso. Das 9h até as 17h. Calcule o dano! rsrsrs

Mas é interessante analisar a Feira de Ciências sob dois pontos: um evento de divulgação científica e um evento avaliativo da escola. Essas duas características se confundem durante o evento. Por um lado, o evento é uma ótima oportunidade de divulgação científica para a comunidade assistida pela escola (familiares, amigos de alunos e professores, por exemplo). As várias exposições realizadas pelos alunos conseguem ser atrativas, dinâmicas, divertidas ao mesmo tempo que são objetivas, metódicas, recheadas de informação. Ao meu ver, só precisamos ter um cuidado na hora da orientação enquanto professor: o fator atrativo se sobrepõe ao fator educativo, científico. Por exemplo, hoje assisti a uma apresentação em que a sala estava completamente tematizada, com balões, cartazes, desenhos no teto e no chão. vídeos sendo apresentados, mas muitas informações ficaram um tanto distorcidas (eventos históricos, intenções dos cientistas, o evento da “descoberta”). A apresentação acabou fortalecendo essa característica da eventualidade da descoberta científica, como se o cientista tivesse tropeçado na situação. Devemos ter cuidado com isso.

Por um outro lado, nós temos a obrigação de avaliar o trabalho dos alunos. Que tarefinha ingrata, mas necessária. Ingrata por que muitas vezes (acho que em todas as vezes) uma avaliação será sempre injusta, mas ao mesmo tempo, sem o peso da avaliação, os alunos não realizariam um trabalho de qualidade, com dedicação. A feira de Ciências é vista, de uma maneira geral, somente como uma etapa da avaliação para os alunos e como um evento trabalhoso do ponto de vista do professor. Poucos entendem o momento como uma oportunidade de ampliar suas visões de mundo, de compartilhar conhecimentos e significados que ajudam no desenvolvimento e construção do conhecimento humano.

Questões a parte, Feiras de Ciências são muito legais

Aulas particulares de física

Eu já me senti assim, como o professor. Ainda bem que a galera não tem um canhão de plasma acoplado no braço…

Miopia, uma doença do ensino.

A miopia é um distúrbio visual que tem como consequência a focalização da imagem antes da retina, onde deveria ocorrer. Logo, uma pessoa míope não consegue enxergar objetos que estejam longe, somente o que estão perto. Mas existem meios de corrigir esse distúrbio com lentes ou métodos cirúrgicos.

Com licença da analogia, mas muitos professores por aí são míopes. Alguns de verdade, e precisam usar óculos ou fazem a tal cirurgia, mas o problema é a miopia profissional. Muitos colegas de trabalho não conseguem enxergar longe no processo de Educação; não conseguem enxergar o tamanho da complexidade que é educar uma pessoa e os desdobramentos que esse processo implica. Muitos só conseguem enxergar o que está perto deles, uma complexidade mascarada, um objetivo fútil aos olhos do que seria o processo de educar.

Pelo que percebo, se fosse possível comparar o alcance da prática de sala de aula hoje com o que seria a total complexidade do objetivo da educação, seria como tentar adoçar o Oceano Atlântico com alguns sacos de açúcar. Pode ser exagerado, mas o que quero dizer é que o que nós, professores estamos fazendo hoje em sala de aula (de uma maneira geral, claro), tem sido algo sem sentido perante o que se pretende com a Educação. Basta o professor ler um pouco alguns artigos especializados e logo perceberá que o que se entende como educação e o que faz chamando de educação tem se distanciado. Mas não sejamos tão radicais.

É claro que não é 100% dos professores que são assim. Se alguém aí tiver curiosidade, é só pesquisar quantos mestres e doutores são formados por ano na área de ensino. Isso significa, se não estiver enganado, que num futuro esse distanciamento entre as visões de educação irá diminuir até que se encontrem. Isso porque os nossos alunos serão os chefes de família no futuro. Sim, a família é importante e parte essencial no processo de Educação. Hoje os pais aceitam a educação da maneira que ela é feita, e até mesmo cobram para que ela seja feita assim. Eles estão fora da escola, fora do contexto de construção do conhecimento, ao contrário dos nossos alunos.

Como disse em outro Texto publicado aqui, o negócio professor É NÃO DESANIMAR PORQUE SIMPLESMENTE VOCÊ NÃO PODE DESANIMAR! Então, procure usar lentes ou fazer a cirurgia para curar essa miopia, caso você ache que tenha. Se você não sabe se tem ou não, tente responder a essa pergunta: VOCÊ TEM PROMOVIDO UMA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA CRÍTICA?

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