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Queremos homens completos ou mero cidadãos?

A educação atual e as atuais conveniências sociais premiam o cidadão e imolam o homem. Nas condições modernas, os seres humanos vêm a ser identificados com as suas capacidades socialmente valiosas. A existência do resto da personalidade ou é ignorada ou, se admitida, é admitida somente para ser deplorada, reprimida ou, se a repressão falhar, sub-repticiamente rebuscada. Sobre todas as tendências humanas que não conduzem à boa cidadania, a moralidade e a tradição social pronunciam uma sentença de banimento. Três quartas partes do Homem são proscritas. O proscrito vive revoltado e comete vinganças estranhas. Quando os homens são criados para serem cidadãos e nada mais, tornam-se, primeiro, em homens imperfeitos e depois em homens indesejáveis.

A insistência nas qualidades socialmente valiosas da personalidade, com exclusão de todas as outras, derrota finalmente os seus próprios fins. O actual desassossego, descontentamento e incerteza de propósitos testemunham a veracidade disto. Tentamos fazer homens bons cidadãos de estados industriais altamente organizados: só conseguimos produzir uma colheita de especialistas, cujo descontentamento em não serem autorizados a ser homens completos faz deles cidadãos extremamente maus. Há toda a razão para supor que o mundo se tornará ainda mais completamente tecnicizado, ainda mais complicadamente arregimentado do que é presentemente; que graus cada vez mais elevados de especialização serão requeridos dos homens e mulheres individuais. O problema de reconciliar as reivindicações do homem e do cidadão tornar-se-á cada vez mais agudo. A solução desse problema será uma das principais tarefas da educação futura. Se irá ter êxito, e até mesmo se o êxito é possível, somente o evento poderá decidir.

Aldous Huxley, in “Sobre a Democracia e Outros Estudos”

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O gato de Schrödinger

Esse deve ser o único gato que gosto. O gato de Schrödinger é um experimento mental descrito por…SCHRÖDINGER, no qual um gato é o personagem principal. Eu não vou explicar o que é o experimento, pois o vídeo abaixo é muito bom para explicar do que se trata a situação proposta pelo físico.

Se você gosta de Física ou se tem dúvidas com relação a algumas situações esquisitas que seu professor fala em sala mas não tem muito tempo para aprofundar a discussão sobre as mesmas, fica a dica do canal Minuto da Física. É só clicar na imagem abaixo para acessar o canal.

Obs.: Não é jabá! Não estou ganhando nada com isso. É porque o trabalho é bom e merece ser divulgado mesmo! 

Ciência e Pseudociência

O trecho abaixo faz parte de um artigo publicado na Física na Escola, uma publicação da Sociedade Brasileira de Física, intitulado Ciência e pseudociência, de Marcelo Knobel. Eu o utilizei em ontem em sala de aula, e o utilizarei em outras turmas, e o debate foi algo agradável e significativo. Fica a dica!

    A própria definição de pseudociência é uma questão complexa e delicada. Há muitas características comuns que podem ser utilizadas para tentar esboçar uma demarcação. Como já dito, a pseudociência tem esse nome porque tenta mimetizar uma aparência de ciência, incluindo uma linguagem mais complexa, com afirmações veementes de que os resultados são “comprovados cientificamente”, ou abalizados por “estudos aprofundados”. Além disso, a pseudociência normalmente se baseiam em anedotas e rumores para “confirmar” os fatos. Um exemplo comum é ouvirmos (ou recebermos alguma corrente ou correio eletrônico) alguma história mirabolante sobre doenças provocadas por latinhas sujas ou roubo de órgãos para contrabando. Estes rumores que se espalham com uma facilidade impressionante devido à Internet têm o nome de “lendas urbanas”, e também podem ser considerados como um subgrupo da pseudociência.

     Em seu clássico livro O Mundo Assombrado por Demônios – A Ciência vista como uma Vela na Escuridão, o físico Carl Sagan descreveu, de modo brilhante, um kit de detecção de mentiras ou bobagens (Balooney Detection Kit), principalmente no que se refere a afirmações aparentemente científicas. Ele enfatiza o uso do pensamento crítico para reconhecer argumentos falhos ou fraudulentos, o que podemos chamar de um modo geral de “pseudociência”. Além do raciocínio lógico e do reconhecimento de alguns elementos característicos da pseudociência, é particularmente importante conhecer, ao menos superficialmente, como a ciência funciona.

     De acordo com Sagan, há algumas ferramentas básicas no kit que devem ser utilizadas para analisar argumentos e afirmações que aparentemente são embasadas em experimentos científicos:

  • Sempre que possível deve haver uma confirmação independente dos “fatos”;
  • Deve-se estimular um debate substantivo sobre as evidências, do qual participarão notórios partidários de todos os pontos de vista;
  • Os argumentos “de autoridade” têm pouca importância – As ‘autoridades’ cometeram erros no passado. Voltarão a cometê-los no futuro. Uma forma melhor de expressar essa idéia é talvez afirmar que em ciência não existem autoridades; quando muito há especialistas;
  • Deve-se considerar mais de uma hipótese. Se alguma coisa deve ser explicada, é preciso pensar em todas as maneiras diferentes pelas quais poderia ser explicada. Então se deve pensar em formas de derrubar sistematicamente cada uma das alternativas. A hipótese que sobreviver a esta “seleção natural” tem maiores chances de ser a correta;
  • Não se apegar demais à sua própria hipótese. Devem-se buscar razões para rejeitá-la. Se você não fizer isto, outros o farão;
  • Quantificar sempre que possível. Aquilo que é vago e qualitativo é suscetível a muitas explicações;
  • Se há uma cadeia de argumentos, todos os elos da cadeia devem ser válidos (inclusive a premissa) – não apenas a maioria deles;
  • Deve-se sempre questionar se a hipótese pode ser, pelo menos em princípio, falseada. As proposições que não podem ser testadas ou falseadas não valem grande coisa. Devemos poder verificar as afirmativas propostas.

    Na realidade há muitas outras características comuns que podem ser utilizadas para tentar esboçar uma demarcação da pseudociência, o que nem sempre é trivial. Além disso, a pseudociência normalmente se baseiam em anedotas e rumores para “confirmar” os fatos, e incluem personagens que afirmam que não são compreendidos e são hostilizados por nossa sociedade, assim como foram Galileu e Copérnico em suas épocas. Mas por que devemos nos preocupar com a pseudociência? Para os cientistas, a resposta mais simplista poderia indicar uma tentativa de evitar “manchar” a imagem da ciência, que tem consolidado a sua reputação em anos e anos de hipóteses, teorias e experimentos bem sucedidos e capazes de explicar muitos aspectos do universo em que vivemos. Mas, na realidade, a maioria das pessoas vive perfeitamente bem sem saber diferenciar entre ciência e pseudociência.

       Entretanto, mais cedo ou mais tarde, em alguns momentos da vida, esse conhecimento pode ser muito importante. Seja para decidir um tratamento médico, seja para analisar criticamente algum boato, seja para se posicionar frente a alguma decisão importante que certamente influenciará a vida de seus filhos e netos. A sociedade, como um todo, deve assimilar uma “cultura científica”, com a participação de instituições, grupos de interesse e processos coletivos estruturados em torno de sistemas de comunicação e difusão social da ciência, participação dos cidadãos e mecanismos de avaliação social da ciência. Mas ao falar da cultura científica não estamos nos referindo, necessariamente, à “ciência” ortodoxa, entendida como acúmulo de conhecimentos coerentes, fixos e certos que se constroem sob a atenta vigilância de uma metodologia confiável sobre uma realidade natural subjacente (legado da tradição positivista que apela à objetividade da ciência e seu “espírito” altruísta). A cultura científica é entendida, neste sentido mais amplo, como forma de instrução, de acumulação do saber, seja este socialmente válido ou não.

    E a necessidade de uma cultura científica aparece claramente na distinção entre ciência e pseudociência. Além dos aspectos já mencionados, muitas vezes somos compelidos a aceitar algo sem fundamento científico, mesmo sem acreditarmos naquilo. A seguir, será dado um exemplo recente que ocorreu na cidade de São Paulo, onde, mesmo sem querer, milhões de cidadãos são obrigados a aceitar uma lenda urbana.

Para ler o artigo completo, clique no link ao lado: Ciência e pseudociencia

Miopia, uma doença do ensino.

A miopia é um distúrbio visual que tem como consequência a focalização da imagem antes da retina, onde deveria ocorrer. Logo, uma pessoa míope não consegue enxergar objetos que estejam longe, somente o que estão perto. Mas existem meios de corrigir esse distúrbio com lentes ou métodos cirúrgicos.

Com licença da analogia, mas muitos professores por aí são míopes. Alguns de verdade, e precisam usar óculos ou fazem a tal cirurgia, mas o problema é a miopia profissional. Muitos colegas de trabalho não conseguem enxergar longe no processo de Educação; não conseguem enxergar o tamanho da complexidade que é educar uma pessoa e os desdobramentos que esse processo implica. Muitos só conseguem enxergar o que está perto deles, uma complexidade mascarada, um objetivo fútil aos olhos do que seria o processo de educar.

Pelo que percebo, se fosse possível comparar o alcance da prática de sala de aula hoje com o que seria a total complexidade do objetivo da educação, seria como tentar adoçar o Oceano Atlântico com alguns sacos de açúcar. Pode ser exagerado, mas o que quero dizer é que o que nós, professores estamos fazendo hoje em sala de aula (de uma maneira geral, claro), tem sido algo sem sentido perante o que se pretende com a Educação. Basta o professor ler um pouco alguns artigos especializados e logo perceberá que o que se entende como educação e o que faz chamando de educação tem se distanciado. Mas não sejamos tão radicais.

É claro que não é 100% dos professores que são assim. Se alguém aí tiver curiosidade, é só pesquisar quantos mestres e doutores são formados por ano na área de ensino. Isso significa, se não estiver enganado, que num futuro esse distanciamento entre as visões de educação irá diminuir até que se encontrem. Isso porque os nossos alunos serão os chefes de família no futuro. Sim, a família é importante e parte essencial no processo de Educação. Hoje os pais aceitam a educação da maneira que ela é feita, e até mesmo cobram para que ela seja feita assim. Eles estão fora da escola, fora do contexto de construção do conhecimento, ao contrário dos nossos alunos.

Como disse em outro Texto publicado aqui, o negócio professor É NÃO DESANIMAR PORQUE SIMPLESMENTE VOCÊ NÃO PODE DESANIMAR! Então, procure usar lentes ou fazer a cirurgia para curar essa miopia, caso você ache que tenha. Se você não sabe se tem ou não, tente responder a essa pergunta: VOCÊ TEM PROMOVIDO UMA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA CRÍTICA?

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