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Queremos homens completos ou mero cidadãos?

A educação atual e as atuais conveniências sociais premiam o cidadão e imolam o homem. Nas condições modernas, os seres humanos vêm a ser identificados com as suas capacidades socialmente valiosas. A existência do resto da personalidade ou é ignorada ou, se admitida, é admitida somente para ser deplorada, reprimida ou, se a repressão falhar, sub-repticiamente rebuscada. Sobre todas as tendências humanas que não conduzem à boa cidadania, a moralidade e a tradição social pronunciam uma sentença de banimento. Três quartas partes do Homem são proscritas. O proscrito vive revoltado e comete vinganças estranhas. Quando os homens são criados para serem cidadãos e nada mais, tornam-se, primeiro, em homens imperfeitos e depois em homens indesejáveis.

A insistência nas qualidades socialmente valiosas da personalidade, com exclusão de todas as outras, derrota finalmente os seus próprios fins. O actual desassossego, descontentamento e incerteza de propósitos testemunham a veracidade disto. Tentamos fazer homens bons cidadãos de estados industriais altamente organizados: só conseguimos produzir uma colheita de especialistas, cujo descontentamento em não serem autorizados a ser homens completos faz deles cidadãos extremamente maus. Há toda a razão para supor que o mundo se tornará ainda mais completamente tecnicizado, ainda mais complicadamente arregimentado do que é presentemente; que graus cada vez mais elevados de especialização serão requeridos dos homens e mulheres individuais. O problema de reconciliar as reivindicações do homem e do cidadão tornar-se-á cada vez mais agudo. A solução desse problema será uma das principais tarefas da educação futura. Se irá ter êxito, e até mesmo se o êxito é possível, somente o evento poderá decidir.

Aldous Huxley, in “Sobre a Democracia e Outros Estudos”

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Geladeira quântica faz gelo absoluto

Nanorrefrigeração

Geladeira quântica faz gelo absolutoEnquanto as geladeiras a laser não chegam, talvez você possa se contentar com uma geladeira quântica O primeiro exemplo daquilo que se poderia chamar de um refrigerador quântico veio de forma um tanto surpreendente, quando físicos italianos conseguiram mover a entropia de um sistema para outro.

Mas a geladeira quântica criado por Peter Lowell e colegas do Instituto Nacional de Padronização e Tecnologia (NIST) dos Estados Unidos está pronta para uso, ao menos em laboratórios.

Este é o primeiro refrigerador quântico de estado sólido que usa fenômenos da física quântica, operando em micro e nanoestruturas – ele não possui nenhuma parte móvel – para resfriar objetos muito maiores, de nível macroscópico.

Embora existam inúmeros aparatos capazes de resfriar objetos em laboratório até temperaturas que se aproximam do zero absoluto, o novo equipamento permitirá que os cientistas ponham e retirem seus experimentos para congelamento da mesma forma que se manipula os alimentos em uma geladeira doméstica.

“É uma das realizações mais impressionantes que eu já vi. Nós usamos a mecânica quântica em uma nanoestrutura para resfriar um bloco de cobre que é um milhão de vezes mais pesado do que os elementos de refrigeração,” disse Joel Ullom, membro da equipe.

Laboratórios e telescópios

O que realmente impressiona é o rendimento do refrigerador quântico: seu poder de resfriamento pode ser comparado a um ar condicionado de parede resfriando um prédio inteiro.

A geladeira quântica poderá resfriar sensores abaixo das temperaturas criogênicas (300 miliKelvin), normalmente obtidas com o uso de hélio líquido, facilitando os experimentos com computadores quânticos  e estendendo a vida útil das câmeras de telescópios espaciais – o telescópio espacial Herschel está chegando ao fim de sua vida útil justamente pelo esgotamento do seu reservatório de hélio líquido.

Este é mais uma de um crescente número de demonstrações de como dispositivos em nanoescala, que funcionam segundo as leis da mecânica quântica, afetam fenômenos em macroescala, que funcionam segundo das leis da física clássica.

As aplicações portáteis são ainda mais facilitadas pela pouca energia necessária para alimentar a geladeira quântica: o protótipo funciona com uma única bateria de 9V.

Como funciona a geladeira quântica

O resfriamento quântico é feito por um conjunto de 48 sanduíches de diversos materiais, condutores e isolantes, intercalados com um metal supercondutor.

Com a aplicação de uma tensão elétrica, os elétrons de mais alta energia saem das camadas condutoras, tunelam através das camadas isolantes, até atingir a camada supercondutora.

A temperatura nas camadas metálicas cai dramaticamente, drenando energia eletrônica e vibracional do objeto que está sendo resfriado.A mesma equipe já havia demonstrado a viabilidade de exploração desse processo, mas em dimensões microscópicas:

 O protótipo levou um bloco de cobre de 2,5 centímetros de lado e 3 milímetros de altura a uma temperatura de 256 mK. Os pesquisadores afirmam já ter em mente melhoramentos que levarão o equipamento a atingir 100 mK.

Bibliografia:

Macroscale refrigeration by nanoscale electron transport
Peter J. Lowell, Galen C. O’Neil, Jason M. Underwood, Joel N. Ullom
Applied Physics Letters
Vol.: 102, 082601
DOI: 10.1063/1.4793515

Texto original, retirado de Inovação Tecnológica.

Situação educacional do país.

Nossa situação educacional não mudou significativamente na última década: tivemos um pequeno aumento na educação infantil, um pequeno retrocesso nas taxas de conclusão dos ensinos fundamental e médio e um crescimento do ensino superior. Durante toda a década, continuamos entre a terça parte dos países sul americanos mais atrasados em termos educacionais.

 Segundo dados sistematizados pelo Instituto de Estatística da Unesco, nossa taxa de alfabetização de adultos está entre as três piores, de um conjunto de 11 países do continente para os quais há dados disponíveis, juntamente com Peru e Equador. Quanto à alfabetização dos 15 aos 24 anos, que reflete o sistema escolar de um país em um período mais recente, estamos entre os quatro piores. No ensino superior, nossa taxa de inclusão está entre as três mais baixas da América do Sul, apenas maior que as da Guiana e do Paraguai.

 O objetivo dessa comparação com países vizinhos não é transformar a análise do desempenho educacional em uma espécie de competição, onde o ranqueamento é o que importa. O objetivo é mostrar que, embora não tenhamos alguns dos problemas que dificultam o desenvolvimento educacional dos países citados, como populações cultural e linguisticamente diferenciadas e/ou rendas per capita da ordem de metade da brasileira, não conseguimos promover nossa educação a um patamar adequado.

Esse trecho acima foi retirado de um artigo publicado no Jornal da Ciência. Repito, política deve ser uma coisa muito complexa, muito mais difícil que física quântica, que fisico-química, que genética avançada, sei lá! Ou então a estrutura cognitiva de quem está no comando do ministério, do governo estadual, do governo do país deve ser muito limitada. Enfim, continuemos guerreiros

Ah tá… Sentá lá Magneto! Erros na Evolução dos X-Men

Em X-Men: First Class, o mais recente filme sobre os populares super-heróis dos quadrinhos, um dos personagens mutantes atende pelo apelido de Darwin, pois tem o poder de adaptação a qualquer ambiente. “Instantaneamente, Darwin se adapta a qualquer ameaça: se atirá-lo na água, ele criará brânquias; se acertá-lo com um taco sua pele se transformará em placas blindadas.

Biólogos presentes nas salas de cinema podem dizer que essa forma de evolução é mais ou menos o oposto do que Charles Darwin propôs em sua teoria da seleção natural, e que, o nome desse herói de veria ser Lamarck. Jean-Baptiste Lamarck defendia a hereditariedade dos caracteres adquiridos.

Essa apropriação indevida da identidade de Darwin é característica dos filmes dos X-Men, que costumam “torturar” as idéias-chave da biologia. Sabemos que os filmes são feitos, naturalmente, para serem divertidos e não factuais. Em um filme sobre telepatas superpoderosos e a mudança de forma de uma mulher azul, obviamente o objetivo não é ser um documentário científico.

No entanto, vale a pena olhar para alguns erros do filme sobre evolução e especiação, pois podem reforçar alguns equívocos populares. X-Men: First Class, como os filmes anteriores da série, repetidamente, invoca a idéia de que mutantes e seres humanos estão envolvidos em uma luta evolutiva pelo domínio do planeta, assim como humanos e neandertais há milhares de anos atrás. O Professor X e o Magneto discutem sobre como homem de Neandertal olhou para a espécie superior, e como foram deslocados e abatidos.

Pelo menos esse filme tem a desculpa de ser definido em 1962, quando essas idéias sobre a evolução humana foram mais comuns. Neandertais eram então normalmente retratados como uma espécie de brutos mentalmente inferiores que não podiam competir com os Homo sapiens, que eram mais inteligentes, portanto tecnologicamente e culturalmente mais avançados.

Mas hoje, a imagem paleoantropologica das relações entre os neandertais e o homem moderno é completamente diferente. Reconstruções ósseas mostram que os neandertais tinham cérebros maiores que os nossos, e as escavações arqueológicas revelam que tinham uma cultura distinta, mas, por vezes, usaram algumas das mesmas ferramentas que os nossos antepassados. De fato, estudos publicados em 2010 pelo grupo de Svante Pääbo no Instituto Max Planck para Antropologia Evolucionária em Leipzig, concluiram que parte dos genes de pessoas não-africanas veio de neandertais. Ou seja, os neandertais se relacionaram sexualmente com os seres humanos modernos.

Durante a última glaciação, os neandertais podem simplesmente ter feito uma péssima escolha de rota e acabaram extintos por conta própria. Portanto, o Professor X e Magneto erraram.

Os mutantes dos filmes X-Men são sempre tratados como uma espécie distinta, mas a maioria deles aparentemente pode passar por humano e gerar filhos com eles. Esses fatos eliminam a possibilidade de que mutantes são uma espécie diferente.

Espécies reconhecíveis também costumam ter um fenótipo definível, ou conjunto de características físicas de destaque. Os mutantes X-Men, em contraste, são uma mistura louca de diversos tipos (Azazel?! Banshee! Vespa?!), que são, pelo menos, tão diferentes uns dos outros como do resto da humanidade. Assim, ao contrário do filme dos heróis e vilões, os mutantes X-Men não são naturalmente uma nova espécie, apenas mais uma variante do Homo sapiens.

(Texto retirado da Scientific American Brasil online. Até porque o que eu entendo de Biologia é o que eu entendo de Mandarin arcaico!)

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