Monthly Archives: Novembro 2018

The Imitation Game do séc. XXI

Supercomputador que imita o cérebro humano é ligado

O maior supercomputador neuromórfico do mundo – projetado e construído para funcionar da mesma maneira que um cérebro – está sendo ligado pela primeira vez, com nada menos do que um milhão de núcleos processadores.

O supercomputador, chamado Spinnaker, será capaz de completar mais de 200 milhões de ações por segundo graças a nada menos do que um milhão de núcleos processadores, cada um deles tendo 100 milhões de componentes.

Spinnaker é um acrônimo para Spiking Neural Network Architecture, algo como arquitetura de rede neural por picos de tensão, em referência aos “disparos” elétricos das sinapses, que fazem a comunicação entre os neurônios.

O projeto é a parte de hardware (Plataforma de Computação Neuromórfica) do Projeto Cérebro Humano.

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Novo Ensino médio…Velhos Problemas! (Parte 2)

Resultado de imagem para novo ensino médio

O ensino médio vem passando por mudanças faz um bom tempo. As conversas sobre alterações curriculares, métodos e práticas pedagógicas, bem como a própria estrutura escolar não são novidade no meio educacional.

Todo professor teve que estudar Didática, Organização da Educação Brasileira (como era chamada na minha graduação), em que os documentos oficiais, legislação e estrutura eram estudados e debatidos.

Os órgãos gestores também fazem debates interno e externos, e muitas vezes somos convidados a participar das consultas públicas e reuniões em que decisões irão afetar diretamente a nossa profissão. Eis aqui o ponto que queria debater: a participação da categoria nesses momentos, como por exemplo o caso da Base Nacional Comum Curricular!

Já ouvi muita opinião resistiva à BNCC da parte de colegas, e em alguns casos, disseram que ela estava sendo “empurrada guela abaixo”. Mas os dados acima discordam disso. Ela é antiga e vem sendo debatida por especialistas há bastante tempo.

  • A constituição de 88 prevê, em seu artigo 210, a a criação de uma base nacional;
  • a LDB de 96 também o faz no seu artigo 26;
  • as Diretrizes Curriculares Nacionais reforça, em seu artigo 14, uma Base Nacional Comum Curricular para toda a educação básica;
  • em 2014, O Plano Nacional da Educação estabelece a BNCC como estratégia para se alcançarem as metas 1,2,3 e 7.
  • em 2015, ocorre um Seminário Internacional sobre a BNCC, em Brasília; sendo publicada no mesmo ano a 1ª versão do documento.
  • em Março de 2016 temos o fim da 1ª consulta e em maio do mesmo ano, o início da 2ª consulta pública, após contribuições da 1ª consulta;
  • em abril de 2017, a terceira versão (pós consulta da maio/2016) é entregue ao Conselho Nacional de Educação, com respeito à Educação Infantil e Fundamental. O texto do Ensino Médio ainda passa por consulta pública.
  • em Agosto de 2017 é lançado o Guia de Implementação da BNCC.

Não discordo que interesses políticos estão por trás da implementação da Base do jeito que está sendo, mas ela é uma realidade e temos que entendê-la bem para usá-la bem, a nosso favor! Mas para isso, insisto, é preciso ler analisar o texto. A pergunta é, você já leu? Analisou, refletiu, comparou, pesquisou, contribuiu, etc. ?

Essa é uma questão a se pensar, enquanto professor. Se compararmos nossa profissão com a de um médico ou um engenheiro (não com relação a salário), nós vemos que o médico está sempre se atualizando com relação aos novos tratamentos e medicamentos disponíveis, e o tratamento que era utilizado a 30 anos atrás hoje é totalmente obsoleto; no caso o engenheiro, os materiais utilizados na construção civil, há 30 anos atrás, não mudavam de um ano para outro, enquanto que hoje, a todo instante novos materiais e técnicas são desenvolvidas e para não ser obsoleto, ele se atualiza. Já nós, professores, apresentamos uma resistência às mudanças… estamos tentando replicar modelos de escola dos anos 20 ou 30; não damos valor aos teóricos da nossa profissão (pergunta pra algum professor o que ele acha de Paulo Freire…) e entortamos a cara quando o coordenador entra na sala dos professores e cita algum deles; expulsamos o aluno da sala se ele estiver com um celular na mão e por aí vai…

Um amigo me perguntou, anos atrás, sobre o que eu pensava sobre o Novo Ensino Médio, se eu achava que poderia dar certo. Respondi com sinceridade que o que mais dificultaria o Novo Ensino Médio seria a nossa capacidade de se envolver nas mudanças de forma a permitir o avanço. Tomara que eu quebre a cara…

 

Novo Ensino Médio… Velhos problemas!(Parte 1)

Resultado de imagem para EAD

Nesta última terça (20), o Ministério da Educação homologou o texto com as novas diretrizes para o Ensino Médio, sendo possível que 20% da carga horária do curso diurno seja cumprida na modalidade a distância; 30 % da carga horária para o curso noturno e até 80% para o EJA poderão ser feitos por EAD.

Há muito o que se refletir sobre isso (o que pretendo fazer em próximos textos), mas primeiramente queria fazer um brainstorm sobre essa notícia, de modo a tentar expandir alguns impactos sobre a nossa amada (ou talvez não) profissão.

Desemprego

Uma das ideias que surgiu foi o impacto direto sobre as vagas de emprego para professores. Enquanto que, num espaço físico, eu tenho limitações para quantidade de alunos por sala, se quero mais alunos, preciso de mais salas; com mais salas, mais professores. Certo? Bom, com uma educação à distância, esse limite físico some, o que  certamente trará impacto sobre as vagas de emprego.

Autonomia

Alguns anos atrás, durante a graduação, fui bombardeado por debates e artigos que defendiam um ensino que promovesse autonomia dos alunos. Alguns defendem que o Ensino à Distância (EAD) é uma eficiente ferramenta para promover essa autonomia. Pode ser que sim, pode ser que não… só a experiência dirá.

Volta do Tecnicismo

Durante a ditadura militar, as educação tecnicista foi amplamente incentivada e implementada pelo governo. Tal modelo de de educação desvaloriza a reflexão, o debate e a crítica, em termos gerais. Por muito tempo, educadores têm trabalhado para transpor esse modelo por um mais completo, que promova um desenvolvimento mais amplo e rico, e nisso, o papel do professor como mediador se faz crucial. Talvez, num ensino EAD, essa mediação fique mecânica, frouxa e ineficaz, prevalecendo o “Ctrl+C/Ctrl+V”

Reinvenção da Profissão.

Talvez estejamos vendo o início de uma mudança de paradigma profissional. As tecnologia estão cada vez mais imersas na sociedade, e a sociedade imersa nas tecnologias. Smartphones cada vez mais poderosos, aplicativos cada vez mais imersivos, realidade virtual e aumentada alcançando nossos lares… e ainda temos escolas com quadro negro e giz. Não me entenda mal, eu sei o grande valor de um quadro negro e giz, mas cada vez mais essa é uma realidade distante da criança que chega na escola.

O ambiente, os métodos, o professor… tudo isso precisará se reinventar, ou seremos os Nokia 3320 (que todo mundo lembra que era bom), mas que ninguém quer ter de volta!

Até a próxima guerreiros!

Professor ciências tem pensado cientificamente?

Estava lendo um capítulo de um livro nessa semana, sobre o Ensino de Ciências da Natureza no Ensino Médio, e em certa parte o autor fez a seguinte citação:

Para o espírito científico, todo conhecimento é resposta a uma pergunta. Se não há pergunta, não pode haver conhecimento científico. Nada é evidente. Nada é gratuito. Tudo é construído (BACHELARD, 1996)

Achei interessantíssimo esse pensamento. Eu, como professor de ciências, tenho reconhecido essa natureza intrínseca do conhecimento científico nas minhas aulas? Será que estou ensinando ciências de uma maneira eficiente, ou no mínimo, justa para meus alunos?

Sabe, durante a graduação a gente acaba se apaixonando pela ciência que escolhemos (ao menos comigo foi assim!) e aparentemente, após alguns anos de labuta dura em salas de aula, acabamos por entrar em um modo de “Economia de Energia”, por assim dizer, e fazemos o nosso trabalho daquele jeito que eu sei que vai “dar certo”, mesmo que ao final do ano eu tenha 50% ou mais de alunos em processo de recuperação. Isso não pode estar certo!

Hoje, nessa retomada do blog, gostaria de deixar essa reflexão pra você professor de ciências que está lendo esse pequeno artigo: Nada é evidente…tudo é construído. O modo de se fazer ciência é, em si mesmo, o modo mais completo para se aprender ciência. Não estou dizendo para você iniciar um programa de formação de físicos, químicos ou biólogos de 15-16 anos, mas que seria interessante se começássemos a planejar nossas aulas com situações que gerassem perguntas nas cabecinhas que estão à nossa frente ao invés de esperarmos que eles nos acompanhem em resoluções de 10 exercícios que enchem os quadros e que eles só copiam.

Vamos pensar, vamos mudar

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