Comentário sobre “Da maçã ao Big Bang”, do Correio Brasiliense.

A divulgação científica tem um papel importante na difusão do conhecimento científico fora do ambiente escolar. Locais como museus, centros de ciência, exposições científicas, revistas como Galileu, Super Interessante, Scientific American e programas e canais de TV como o Discovery Channel, NatGeo, History Channel, TV Escola, e o meu preferido O Mundo de Beakman. Todos esses meios funcionam como veículos de comunicação científica e ajudam a despertar o interesse por ciência, a curiosidade, a atitude questionadora, entre outros pontos que auxiliam na educação científica do sujeito. Isso se “bem feita”.

Eu não sei definir muito bem o que seria uma divulgação “bem feita”, pois exigiria de mim um conhecimento que ainda não tenho. Mas sei dizer quando não está bem feita, como no trecho abaixo, retirado da notícia Da maçã ao Big Bang, publicada na última segunda-feira (27/06/2011), na página do Correio Brasiliense:

A maçã de Newton resultou em três importantes leis, bem conhecidas até hoje por todos os estudantes, que precisam decorá-las. Mas, apesar de se adequarem perfeitamente ao mundo vivenciado aqui da Terra, elas não explicavam tudo. Foi necessário que um despretensioso perito técnico de escritório de patentes juntasse as descobertas do matemático às do físico Max Planck, o “pai” da teoria quântica, para que se começasse a entender a ação da gravidade sobre objetos realmente massivos, como um planeta.

Entre uma tarefa burocrática e outra, Albert Einstein escrevia artigos publicados em periódicos pouco reconhecidos no meio científico. Gostava do trabalho de perito porque tinha tempo para suas divagações físicas. Foram elas que o levaram a deduzir que a luz viaja a uma velocidade intransponível e que, no espaço, não existe referencial: tudo é relativo. Quando apresentou as ideias pela primeira vez, elas nem chamaram muita atenção. Mas logo o mundo percebeu que o alemão simplesmente revolucionou o estudo do Universo.

O texto continua com mais dois parágrafos (8 linhas ao todo!). Como é que se resume 300 anos de produção científica em 18 linhas? Com todo respeito a quem escreveu, o texto não está bom! Por que não? 1º – não foi uma maçã que originou nas três leis de Newton; 2º – os alunos não precisam decorar as leis, no mínimo, eles não tem escolha devido ao modelo de ensino que estão submetidos; 3º – Falar que Einstein era despretensioso é uma demonstração de ignorância com relação à História da Ciência; 4º – Divagações Físicas???? …UTAQUEPAR… 5º – Einstein não deduziu, ele postulou, o que são coisas bem diferentes. E por aí vai…

Eu não sou um especialista (ainda!), mas já li o bastante para entender que esse tipo de material escrito é pouco válido como divulgação científica, pois pouco contribui para uma educação científica. Esse blog é uma forma de divulgação científica, e é claro que cometo erros, equívocos e etc. Mas distorções históricas sobre a ciência, fortalecimento de concepções e mitos sobre os cientistas só atrapalham o processo educativo e afastam, cada vez mais, o conhecimento científico do domínio público. Para finalizar, uma citação de Thomas Edison: “Nunca fiz nada dar certo por acidente; nem nenhuma das minhas invenções surgiu por acidente; elas vieram do meu trabalho”

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Posted on 28 de Junho de 2011, in ciência, educação and tagged , , , , . Bookmark the permalink. 1 Comentário.

  1. Realmente, o texto está um cocô. Houve tantas descobertas interessantes entre Newton e Einstein que ignorá-las é um absurdo. O jeito tendencioso de ilustrar o modo de trabalho de Einstein, fazendo parecer que ele era um desvairado que produzia textos devido ao ócio do emprego público afasta o leitor de uma verdade da vida: que o empenho e o esforço levam ao sucesso.
    Ficou parecendo que Einstein ficou “famoso” por falar coisas extravagantes… como um ex-BBB.

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