Monthly Archives: Fevereiro 2011

Mãos à obra Professor!

Eu não me canso de falar entre amigos que o professor não pode, nunca pode, parar de estudar. Talvez seja, juntamente com medicina, a profissão que realmente se exige isso. Um professor, como já disse antes em outros posts, tem uma missão tão difícil que ao menor deslize seu os danos causados a uma criança e/ou adolescente podem ser tão graves quanto um erro médico. Mas nem todos os professores pensam assim.

Saiu um entrevista na Ciência Hoje OnLine com a professora e pesquisadora Zahava Scherz, diretora de educação científica do Instituto Weizmann, Israel, em que ela discursa sobre isso. Segundo ela, quem precisa aprender é o professor!

Entrei no Instituto Weizmann de Ciência e comecei a desenvolver materiais para o currículo das matérias com o LSS. Logo percebi que nada pode acontecer sem os professores. A chave do sucesso e da implantação de novos projetos é o professor. Então grande parte do nosso desenvolvimento no ensino de ciência é baseado em quem dá as aulas.

(…) O professor deve se considerar um aluno para o resto da vida. Deve se desenvolver dentro da área que leciona, em outras disciplinas e também em pedagogia. Não é uma situação de escolha eliminatória, mas de juntar esses fatores.

A entrevista ainda trata de temas como aulas práticas, reforma curricular. A quem interessar possa, veja aqui a entrevista completa. E mãos à obra!

Humor quantizado em quadrinhos!

Sábado experimental #4

É lindo

A missão de Ensinar.

Numa escola nós encontramos de tudo. O chato é que encontramos muitas situações delicadas que estão se tornando cada vez mais corriqueiras. Hoje um colega me relatou um fato desses. Ele é um professor de Geografia, com 20 anos de carreira, tem seus quase 50 anos. Nessas férias ele machucou o joelho por causa de uma queda, mas isso não impede professor de trabalhar, não se ele for da rede privada. Enfim, as aulas iniciaram e, durante uma aula dele, o seu joelho o incomodava bastante e, olhem só vocês, praticamente pediu para os alunos para se sentar um pouco por causa da dor (ele explicou o motivo da dor para os alunos) Isso tem se tornado uma coisa corriqueira nas salas de aula:o professor não tem a sua autoridade, o respeito. Bom, como tratava-se de uma discussão de uma atividade, pensou ele que não haveria problema. Pensou mal.

O meu colega foi chamado à coordenação porque 5 alunos da sua turma foram reclamar que ele havia se sentado! É mole?! Eu conheço pouco profissionais como ele, com uma carreira sólida, séria. Ele tem história, e cinco alunos foram reclamar para o coordenador o fato do professor se sentar. Onde ou quando foi que se perdeu o bom senso? Eu já coloquei um post aqui sobre a morte do bom senso e hoje essa história veio jogar o cimento em cima da tumba! A Educação não é mais educação, é um serviço em que o cliente tem sempre razão, é um produto. Daqui uns anos não vou me surpreender se o Procon baixar numa escola para processar um professor!

Sabe o que esse meu colega me disse depois de contar essa história? “Rodrigo, sai dessa enquanto você é novo!” Outra professora falou que o melhor seria entrar para a rede pública, o serviço público. O que me pareceu é que ela associou isso à pouco trabalho, a estabilidade garantida (novamente isso). Depois disso, na volta para casa eu vim me perguntando se o meu colega estava errado em pensar daquela forma. Eu não concordo, mas não posso dizer que ele esteja errado. Outros questionamentos me vieram à mente: Como foi que deixamos a educação virar um mercado? Por que deixamos? Será que meus colegas entendem o que eles estão fazendo? Será que a missão está clara? Durante esses pensamentos, o som do carro estava ligado e começou a passar essa música da Legião Urbana que, ao meu ver, expressa bem contra o que os professores devem “lutar”. Pena que nem todos gostam de rock.

Nunca divida seus átomos com ninguém!

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